Devaneios de uma órfã da Leslie Knope

Como já disse antes, eu amo séries. Acompanho várias e me vicio em algumas. É preciso muita dedicação, paciência e amor. Pode não parecer, mas é necessário ser muito forte para esperar meses por uma nova temporada ou aguentar alguns absurdos que fazem com os teus personagens favoritos. O mais difícil de tudo, no entanto, é ver uma série muito amada acabar. É uma tristeza grande. Pode parecer ridículo, mas choro (muito) quando uma série que amo acaba. Friends foi uma choradeira, Gilmore Girls foi um luto da família, Smallville marcou o fim da minha adolescência, e muitas outras experiência tristes e traumatizantes (é contigo mesmo, Dexter). Semana passada, vivi isso mais uma vez – a segunda em menos de um mês, contando o final de Parenthood -, e virei órfã de Leslie Knope.
Parks and Recreation chegou ao fim, após sete anos de risadas e músicas para um pônei. A série criada por Greg Daniels e Michael Schur acabou com um series finale brilhante e digno de Pawnee. Para quem não sabe – meus pêsames por ter perdido uma das melhores comédias da TV americana -, Parks and Rec contou a história de Leslie Knope, interpretada por Amy Poehler, e os funcionários do Departamento de Parques e Recreação da fictícia e espetacular cidade de Pawnee, em Indiana.
Eu demorei para começar a assistir a série. Sempre li boas críticas e vi Amy Poehler concorrendo na categoria de melhor atriz em comédia nas premiações mais importantes da televisão. Porém, bastou uma mini maratona da primeira temporada para eu me apaixonar por aquele grupo de pessoas tão maravilhosamente esquisitas.
Parks and Rec era uma luz de humor genuinamente bom e divertido entre tantos programas sombrios, baratos, desleixados e ofensivos. A série nunca precisou de grandes audiências ou salários milionários para se manter no ar. Foi o jeito próprio de Parks and Recreation que a manteve viva (e merecidamente bem reconhecida) durante todo esse tempo. Um jeito estranho, doce e engraçado. Em meio ao mundo cão da televisão, Parks mostrou a vida de pessoas comuns que, apesar de todas as suas diferenças, sempre trabalharam em equipe e buscaram ajudar os outros. Cada uma com seus (muitos) defeitos, mas também inúmeras virtudes. O público se identificou com cada personagem e nunca deixou de torcer pelo sucesso de todas. A série tinha valores que estão cada vez mais escassos na programação das emissoras: amor, amizade, espírito de equipe e solidariedade. Em tempos de Operação Lava-Jato e ditaduras pelo mundo, é renovador ver o idealismo de Leslie e sua total confiança e busca por um governo que trabalhe para o seu povo. Parks and Recreation era uma série que proporcionava felicidade instantânea.  Para quem ainda não assistiu, por favor, assista! Vale a pena.
Apesar de ter acabado da maneira mais correta possível, é impossível não sentir saudades dos moradores bizarros de Pawnee, dos apelidos da Leslie para Ann, das músicas do Andy, dos empreendimentos do Tom, da sutileza da April, e de absolutamente tudo do Ron Swanson. Parks and Rec acabou, mas deixou um pouco de Pawnee em todos nós.
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