Devaneios sobre o processo criativo

Em 2014, tive a oportunidade de estudar um semestre no exterior. Fui de mala e cuia para Santa Fe, nos Estados Unidos, para viver o meu american dream de morar dentro de uma universidade, no caso Santa Fe University Of Art and Design. Lá, tive uma disciplina chamada Creative Process. Toda sexta-feira, das 09h às 12h45, o professor David Grey abria discussões sobre o nosso processo criativo, analisando como ele pode ser influenciado pelas nossas emoções, ambiente e crenças.

As aulas começavam com uma prática de meditação de, pelo menos, 15 minutos. Cada aluno recebia um tapete e uma almofada especiais para meditar. David sempre deu total liberdade para os alunos escolherem entre o tapete e as cadeiras para essa prática. Todos sempre escolhiam o chão e assim, sentávamos perfeitamente alinhados.Devo admitir que tenho muita dificuldade para meditar. De todas as práticas realizadas, tive apenas duas tentativas bem sucedidas. Sempre me achei muito calma e tranquila, mas quando eu sentava e tentava focar ou relaxar, todos os milhões de pensamentos de toda a semana turbilhavam na minha cabeça. De músicas horríveis à lembranças de infância, é difícil dizer o que eu NÃO pensava durante toda a prática. Descobri que o meu processo criativo precisa e vive de música. O silêncio não funciona muito comigo.

Apesar do meu absoluto fracasso com a meditação, tive alguns insights bem significativos durante as aulas. Um deles veio com um simples trecho de um livro de Mary Corita Kent, uma artista/educadora/freira norte-americana fantástica:

“A criatividade pertence ao artista em cada um de nós. Criar significa relacionar. A raiz do significado da palavra arte é “encaixar”, e nós fazemos isso todos os dias. Nem todos somos pintores, mas somos todos artistas. Cada vez que encaixamos algo estamos criando – seja para fazer um pão, um filho, um dia.”

Absolutamente incrível, não? É impressionante ver como um único trecho de um texto de uma aula da faculdade pode fazer tanto sentido e abrir a tua cabeça. É mais fantástico ainda se dar conta que, às vezes, vemos as coisas tão quadradas ou fazemos tudo tão no modo automático, que não percebemos que cada ação é uma criação, que cada momento na vida pode ter um significado ou um efeito. Se ficarmos atentos ao que acontece em nossa volta e conscientes das nossas ações, poderemos ver um imenso mar de possibilidades e arte. Afinal, somos todos artistas – da nossa vida, da nossa casa, da nossa família, da nossa profissão.

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8 comentários sobre “Devaneios sobre o processo criativo

  1. Perfeita a tua reflexão !!!
    ”Cada um teu o seu jeito”. Assim eu já dizia aos pequenos do Maternal quando eu era sua Professora, para que cada um identificasse sua forma de ser!!!!
    Muito bom!!!

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  2. Belíssimo entendimento desse processo todo que viveste! Adorei o texto e tudo o que ele nos transmite. Parabéns Luiza!!!! Principalmente por teres aproveitado tanto este semestre tão enriquecedor.

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