Devaneios

Estive sumida por um tempo. Resolvi fazer sete disciplinas de quatro créditos neste semestre, então tem semanas que eu não durmo, vivo, respiro e muito menos tenho tempo para escrever no blog. A minha ausência foi por conta de um trabalho da faculdade. Me estressei como nunca e lembrei de quando estudava Arquitetura.

Sim, eu fiz um semestre e meio de arquitetura. Antes disso, eu já tinha feito um semestre de Letras. Obviamente, não gostei de nenhum dos dois cursos. Só depois de um tempo no limbo dos desorientados de profissão que eu encontrei a felicidade no Jornalismo.

Retomando o assunto da minha insanidade dos últimos dias… Eu tive um trabalho de Arquitetura que eu nunca esquecerei. Primeiro semestre, disciplina de Estudos do Ambiente I. A tarefa era pegar um trajeto de oito quadras do centro de Porto Alegre e fazer uma análise completa do trecho. E por análise completa, eu digo colocar em um mapa cada lixeira, container e placa de trânsito; contar quantos andares tem cada prédio e fazer outras coisas absurdas. Foram 27 horas diretas fazendo o trabalho – sem contar as muitas idas ao centro nas semanas anteriores. A sorte é que tive uma amiga muito maravilhosa de parceira. Mesmo assim, VINTE E SETE HORAS para receber um seis, passar raspando na disciplina e ainda ver gente que não tinha feito nada sendo aprovada.

O mais incrível é que não foi nesse momento que eu larguei o curso. Eu ainda fiquei meio semestre sofrendo com maquetes e cálculos de física até ter um ataque após uma aula de Estudos do Ambiente II e largar de vez a arquitetura.

Agora, para a minha alegria e de toda a família, estou no 5º semestre de Jornalismo. Essas últimas semanas foram uma correria louca para elaborar, produzir e finalizar um programa de televisão de cinco minutos. Eu não consegui dormir pensando nas pautas que caíram, em como iria editar uma reportagem e se o programa realmente ficaria pronto. Fiquei estressada e não consegui fazer mais nada. Eu ainda sou meio louca e tenho a mania de tentar fazer o máximo da melhor maneira possível. No final, deu tudo certo e o trabalho ficou bom. No final, eu não matei ninguém e me senti realizada, feliz.

Neste momento, entram todos os clichês e frases de efeito das biografias dos grandes gênios e empresários e blá blá blá. E por mais velhos e cansativos que eles sejam, são irritantemente verdadeiros. Hoje, eu me cobro mais e eu me estresso muito mais, mas sou muito mais feliz. Então, que venham muitos anos de correria, loucuras, noites sem dormir e jornalismo.

Devaneios sobre um dia terrível para a humanidade

Nós recebemos e compartilhamos notícias ruins todos os dias: acidentes, assassinatos, desastres, assaltos e corrupção. Chegamos a um ponto em que ficamos acostumados com tanta tragédia e desgraça, e esse horror diário acaba banalizado. No entanto, essa nossa apatia tem limite. E esse limite foi extrapolado semana passada.

Com o ataque à universidade queniana e a morte do menino Eduardo, o mundo ficou mais feio, mais triste e muito menos humano. É impossível e inaceitável ver um grupo de pessoas entrar em uma universidade e matar 148 pessoas por causa de uma religião. É inconcebível imaginar uma criança de 10 anos sendo morta na frente de casa por um policial. A tolerância desapareceu, o bom senso sumiu e quem deveria nos proteger – Estado e Polícia – é, muitas vezes, quem nos fere.

As fotos dos corpos ensanguentados dos estudantes nas salas de aula da Universidade de Gerissa são uma afronta a toda a humanidade. Os gritos desesperadores da mãe de Eduardo ecoam na cabeça de cada brasileiro, cada ser humano. E nessas horas, fica aquela impressão devastadora de que o homem está perdendo uma batalha contra ele mesmo.

Devaneios sobre aberturas de séries

Eu já disse duas vezes aqui, mas direi mais uma: eu amo séries. Eu amo a ideia de acompanhar os mesmos personagens por anos e anos, eu amo sofrer por ter que esperar meses por uma nova temporada, eu amo fazer maratonas por horas e horas. Eu só não gosto da depressão pós-series finale, mas não vou falar de coisas tristes agora.

E existe uma coisa que deixa as séries ainda mais mágicas: as aberturas. Algo incrível acontece quando a música de abertura é boa. A gente bate palmas, canta e dança na frente da TV quando começam os créditos iniciais. É uma felicidade inacreditável, quase instanânea. E isso fica cravado na nossa mente. Não importa quanto tempo a gente não assista a série, é só escutar o tema de abertura que todo aquele amor antigo ressurge.

E como é sempre muito bom relembrar as coisas lindas da vida, eu selecionei as minhas aberturas favoritas.

Friends 

Como não bater palmas e ficar absurdamente feliz com esses 47 segundos?

How I Met Your Mother

A repetição de duas sílabas e a felicidade é instantânea.

Gilmore Girls

Uma abertura com a música que reflete perfeitamente o que faz Gilmore Girls ser tão especial: a relação entre Lorelai e Rory. Fica impossível não seguir a vida de Star Hollow. Where you lead, we will follow, Gilmore Girls.

The OC

Quem nunca cantou (ou gritou, como eu) na parte do “California, here we cooooome”?

Game Of Thrones

A abertura mais longa e épica da televisão é a preparação perfeita para o público entrar na mente de George RR Martin.

Unbreakable Kimmy Schmidt

Basta assistir uma única vez para se apaixonar e cantar o tema de abertura mais divertido da televisão.

Devaneios na casa da Vó

Casa de vó é um lugar mágico. Hoje, estou sozinha na casa da minha porque ela foi ao circo com a minha mãe e os meus primos. Eu não fui junto por causa do meu pavor por palhaços. Mas isso é assunto para outro momento…

Eu tenho um amor especial por essa casa. Eu já fiz três mudanças, já morei no Rio de Janeiro e voltei, mas a casa da minha vó é sempre a mesma. Quando eu era pequena, os natais maravilhosos eram aqui. Quando eu dormia na casa dela, ela sempre preparava um jantar especial à luz de velas, com a louça mais bonita. Eu ficava me achando a pessoa mais adulta e maravilhosa do mundo. Depois que me mudei para o Rio, passei algumas férias de inverno aqui. Passava os dias vendo os filmes que ela pegava comigo na locadora ou indo ao cinema com ela. E depois de mais velha, vieram as jantas especiais, as maratonas de series e os cochilos à tarde.

A minha vó não é uma vó tradicional, do “tempo antigo”. Ela é uma vó moderna, sempre conectada no Facebook e que lê 50 Tons de Cinza. Ela fala de sexo, ensina a fazer drinks e está sempre na academia. Ela se fina rindo do video da Vanessão e assiste Grey’s Anatomy. Ela tem apelidos – Mamita, Mamitz, Mitz, Baba, Véia Quaker ou Véia – e nunca foi chamada de vó por nenhum neto. Ela foi Miss Universitária Gaúcha, é professora de Educação Física, foi guia de turismo, faz quadros e morou no Uruguai. Faz bolos maravilhosos, como uma boa vó antiga.

E a casa é bem a cara dela. Bonita, cheia de quadros e de vida, com lembranças de viagens, muitas rolhas de vinho, antiguidades da vó Cora, duas televisões – o meu vício televisivo é genético – e com aquele cheirinho da minha véia amada.

Devaneios sobre a felicidade

Em uma semana, muita coisa pode mudar. Se a última sexta-feira foi de superstições e azar, esta marca o Dia Internacional da Felicidade. E este dia está recebendo merecidas homenagens: o Google criou um site para dançar Happy do Pharrell Williams, a ONU fez um playlist de músicas alegres e até o céu resolveu fazer algo especial, com o único eclipse solar total de 2015 e a superlua.

No sentido mais literal possível, o do dicionário, felicidade é o estado de quem está feliz, e feliz significa favorecido pela boa sorte, satisfeito, ditoso, que teve bom êxito. Nada contra o dicionário, mas obviamente, felicidade é muito mais do que isso. Felicidade é ver o pôr do sol, é tocar violão, é um jantar em família, é viajar, é ver a neve pela primeira vez, é segurar um bebê. Felicidade é um abraço da mãe, é uma risada da irmã, é uma palavra de amor do pai, é uma festa com os amigos, é brincar com os teus primos (principalmente quando tu tem 22 anos e eles são 12 anos mais novos do que tu), é um carinho da tua gata, é tirar um cochilo à tarde, é fazer o curso que tu ama, é ver um filme maravilhoso, é acompanhar o crescimento do teu priminho mesmo de outro continente, é encontrar a profissão dos teus sonhos. Felicidade é fazer maratona de séries, é ir no show da tua banda favorita, é ver o teu time vencer uma partida, é ajudar alguém que precisa, é cantar no banho, é ler um bom livro, é chorar de tanto rir, é ouvir música. Felicidade é amar. Felicidade é ser consciente de que se é feliz.

Eu tenho a sorte de dizer que sou feliz.

Então, para comemorar esse dia feliz, me inspirei na ONU com a sua #HappySoundsLike e fiz uma seleção das músicas que me proporcionam felicidade instantânea. São muitas, mas escolhi as que me deixam em um nível de semi-insanidade.

  1. Ain’t No Mountain High Enough – Marvin Gaye & Tammi Terrell
  2. I Want You Back – Jackson 5
  3. You Shook Me All Night Long – AC/DC
  4. Ain’t It Fun – Paramore
  5. Bohemian Rhapsody – Queen
  6. Think – Aretha Franklin
  7. Home – Edward Sharpe & The Magnetic Zeros
  8. You Get What You Give – New Radicals
  9. Twist And Shout – The Beatles
  10. Shake It Off – Taylor Swift

Válido lembrar outro fato muito importante que deixa o Dia Internacional da Felicidade ainda mais feliz: hoje acaba o Verão e começa o Outono. É muito alegria mesmo!

Devaneios sobre a desorientação humana

O ser humano é essencialmente desorientado. A nossa desorientação não é aquela de se perder na rua ou não saber ler um mapa ou desconhecer o caminho para faculdade – é mais complexa e filosófica que isso. Precisamos de algo para nos guiar, seja uma religião, uma crença, uma filosofia de vida, um livro, um filme, uma música.

Eu sempre fui muito descrente nas religões. Estudei em escolas católicas boa parte da minha vida, mas nunca acreditei em Jesus ou em Deus como criador. Meus pais, dois sociólogos, me ensinaram e educaram sobre os valores da vida, amor, respeito, amizade, tolerância, igualdade, humildade e solidariedade, sem nunca terem precisado de um livro sagrado. Sempre foi algo muito natural.

Mais velha, encontrei meus “guias espirituais” nos livros, nos filmes e na música. Li Demian, do Herman Hesse, assisti ao filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e escutei Forever Young, do Bob Dylan. Cada palavra do livro, cada cena do filme, cada acorde da música foram transformadores. Por vezes, assisto Amélie mais uma vez ou coloco Forever Young no repeat do iPod, para me reencontrar ou renovar. Acredito que o sentimento seja igual ao de alguém que lê o livro sagrado de sua religião ou encontra uma filosofia de vida.

Forever Young – Bob Dylan

May God bless and keep you always

Que Deus te abençoe e te proteja sempre,

May your wishes all come true

Que todos os seus desejos se realizem;

May you always do for others

Que você possa ser sempre útil aos outros

And let others do for you

E permitir que os outros o sejam para você.

May you build a ladder to the stars

Que você consiga erigir uma escada até as estrelas

And climb on every rung

E galgar cada degrau; 

May you stay forever young

Que você possa permanecer para sempre jovem.

May you grow up to be righteous

Que ao crescer você se torne justo,

May you grow up to be true

Que ao crescer você se torne verdadeiro,

May you always know the truth

Que você saiba sempre discernir a verdade

And see the lights surrounding you

E enxergar as luzes que o cercam.

May you always be courageous

Que você seja sempre corajoso,

Stand upright and be strong

Aguente firme e seja forte.

May you stay forever young

Que você possa permanecer para sempre jovem.

May your hands always be busy

Possam suas mãos estar sempre ocupadas,

May your feet always be swift

Possam seus pés ser sempre ágeis,

May you have a strong foundation

Que você tenha uma base sólida,

When the winds of changes shift

Quando os ventos das mudanças soprarem.

May your heart always be joyful

Possa seu coração estar sempre contente,

May your song always be sung

Possa sua canção ser sempre cantada,

May you stay forever young

Que você possa permanecer para sempre jovem.

Devaneios sobre a sexta-feira 13

Hoje é sexta-feira, 13. O dia de não cortar o cabelo (ou um parente morrerá), nem de quebrar um espelho (ou terás sete anos de azar). Nunca entendi a lógica de toda a superstição envolvendo esta data por apenas um motivo: como pode qualquer sexta-feira, conhecida como o dia mais maravilhoso da semana, ser azarada/amaldiçoada? Então, resolvi pesquisar a história por trás do dia que causa pânico em mais de 17 milhões de norte-americanos, segundo o Stress Management Center and Phobia Institute, dos EUA.

A maldição da sexta-feira 13 é, na verdade, o conjunto de duas superstições: uma de que o número 13 é azarado, e outra, que o último dia útil da semana também seria sinistro. O medo pelo numeral 13 teve origem em um mito nórdico. A mitologia conta que em um banquete para 12 deuses, o maldoso Loki apareceu sem ser convidado e causou uma briga que resultou na morte de Balder, deus da alegria. Desde então, o número 13 ficou com fama de carregar maus pressentimentos. Há também a referência bíblica: o traidor Judas foi o 13° convidado da Última Ceia.

O nascimento da péssima reputação da sexta-feira veio também da mitologia nórdica. Quando os nórdicos se converteram para o cristianismo, Frigga, a deusa do amor e da beleza – que deu origem às palavras friday e frigagr, sexta-feira em inglês e escandinavo – foi transformada em bruxa. Sua vingança: se encontrar todas as sexta-feiras com o Satanás e mais 11 feiticeiras, um total de 13 participantes, para rogar pragas contra a humanidade. Sexta-feira é também conhecida como o dia em que Jesus Cristo foi crucificado e o dia em que Eva ofereceu a maçã para Adão. Acredita-se ainda que Abel foi morto por Caim numa sexta-feira 13.

Para se ter uma noção, a crença nesta superstição é tão grande que, nos EUA, o medo desta data supostamente azarada causa em torno de U$800 a U$900 milhões em prejuízos em um único dia, por conta do número significativo de pessoas que não viajam de avião ou deixam de trabalhar normalmente.

Apesar de tudo, para muitos, a sexta-feira 13 é apenas um dia de maratonas de filmes de terror. Para mim, este é o dia de trancar a minha gatinha preta, chamada Olivia Dunham, em casa. Tudo por causa de pessoas que ainda machucam e matam gatos pretos em rituais de magia negra. Estamos em 2015, mas tem gente que ainda está na época de Loki.

Fiquei muito impressionada com tudo isso e tive que compartilhar aqui. O que seria um post sobre filmes de terror para assistir neste dia, se transformou em um post da história dessa superstição. Os devaneios sobre filmes de terror terá que ficar para novembro, quando teremos mais uma sexta-feira 13, a terceira do ano para desespero dos economistas norte-americanos.